20% das mulheres jovens possuem disfunções sexuais: estudo

Uma nova pesquisa com mulheres jovens australianas descobriu que metade delas experimenta alguma dificuldade pessoal relacionada a suas vidas sexuais, seja culpa, constrangimento, estresse ou infelicidade.

Além disso, 20% das mulheres – todas entre 18 e 39 anos – relataram ao menos uma disfunção sexual, incluindo problemas relacionados à excitação, desejo, orgasmo, autoimagem sexual e capacidade de resposta na cama.

“É de grande preocupação que uma em cada cinco mulheres
jovens tenha uma aparente disfunção sexual e metade de todas as mulheres nessa
faixa etária sofram aflições pessoais relacionadas ao sexo”, disse a principal
autora do artigo, a epidemiologista Susan Davis da Universidade Monash, ao Science
Alert
.

Nos EUA, um estudo semelhante de 1999 sugeriu que mais de 40%
das mulheres tinham alguma dificuldade sexual, em comparação com pouco mais de
30% dos homens.

Disfunção sexual feminina: campo de estudo nebuloso

Nos homens, a disfunção erétil (ou incapacidade de manter uma ereção) é muito discutida e estudada. Já no caso das mulheres, a situação é bem menos notificada e muito mais complicada.

A disfunção sexual feminina é um distúrbio multifacetado e
pouco compreendido. Atualmente, é geralmente diagnosticada quando uma mulher
apresenta dor durante o sexo, tem um declínio persistente em excitação ou
desejo sexual ou tem dificuldade em atingir o orgasmo.

Enquanto a condição pode se originar de fatores anatômicos, psicológicos, fisiológicos e socio-interpessoais, é primariamente tratada com terapia psicológica – quanto é sequer tratada.

Existem evidências de que os homens são quase duas vezes
mais propensos a ter um orgasmo durante o sexo do que as mulheres. Ao mesmo
tempo, a segurança e a eficácia de novos medicamentos do tipo “viagra” para mulheres
continuam controversas.

Segundo os pesquisadores do novo estudo, precisamos
claramente de mais soluções para a disfunção sexual feminina do que estamos
oferecendo atualmente.

“A alta prevalência de sofrimento pessoal relacionado
ao sexo sinaliza a importância dos profissionais de saúde, particularmente
aqueles que trabalham no campo da ginecologia e fertilidade, estarem
adequadamente preparados para perguntar rotineiramente às jovens mulheres sobre
quaisquer problemas de saúde sexual e poder auxiliá-las ou encaminhá-las para
uma referência apropriada”, afirmou Davis.

Metodologia

Os cientistas entrevistaram 6.986 mulheres sobre tópicos
como desejo sexual, excitação, capacidade de resposta na cama, orgasmo e
autoimagem sexual, bem como níveis de desconforto sexual.

Cerca de um terço das participantes era solteira, e quase
70% delas haviam tido uma vida sexual ativa no mês anterior ao estudo.

Resultados

Quase metade do grupo relatou desconforto em suas vidas sexuais,
e 30% delas haviam experimentado esse desconforto sem ter quaisquer disfunções.

A maioria das mulheres com disfunção sexual tinha apenas uma, geralmente relacionada à autoimagem sexual e autoconsciência durante o sexo, o que era frequentemente relacionado a estar acima do peso, amamentando ou morando com um parceiro.

Entre as mulheres com duas disfunções sexuais, as mais
comuns eram problemas de excitação e orgasmo, ou problemas de excitação e
autoimagem sexual.

Quando três disfunções estavam presentes, o trio costumava
ser problemas de desejo sexual, excitação e autoimagem.

A capacidade de resposta na cama era a disfunção menos comum.
Metade das mulheres que a tinham também possuíam três ou quatro outras disfunções.

Comparadas a mulheres mais velhas, as mais jovens eram menos
propensas a ter baixa excitação e dificuldade com orgasmo, mas a geração mais
nova também pode sentir mais desconforto ao apresentar esses problemas, segundo
os pesquisadores.

Por fim, medicamentos psicotrópicos como antidepressivos tinham um impacto grande na função sexual, embora isso possa ter mais a ver com a própria condição mental do que com os remédios.

Precisamos de mais informações

De acordo com os pesquisadores, os dados sobre disfunção
sexual feminina são escassos e normalmente desatualizados, como o estudo americano
de 1999.

Além disso, o estudo nessa área tendeu a se concentrar em
mulheres heterossexuais que praticam sexo com penetração, o que pode não representar
todo o espectro de disfunções sexuais.

E há ainda a questão destas pesquisas serem pouco
abrangentes. Por exemplo, a prevalência de baixa autoestima sexual não foi
relatada em amostras grandes até os pesquisadores avaliarem a autoimagem em seu
novo estudo.

Enquanto a nova pesquisa é muito importante para preencher as
lacunas no nosso conhecimento, ainda está no começo e há muito pouco contexto
para os cientistas analisarem suas descobertas.

Por exemplo, a equipe concluiu, por alguma razão desconhecida,
que mulheres asiáticas eram significativamente menos propensas a ter uma disfunção
sexual do que as caucasianas. Além disso, a relação entre amamentação e disfunção
de autoimagem sexual é inédita.

Tudo isso só mostra o quanto precisamos dedicar esforços para
nos aprofundar nesse campo de pesquisa.

Um artigo com os achados foi publicado na revista científica Fertility and Sterility. [ScienceAlert]



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