Centenas de pessoas se voluntariam para ser infectadas com coronavírus

Centenas de jovens dos Estados Unidos estão pedindo para participar de uma modalidade de estudo que acelera as etapas do desenvolvimento de novas vacinas. Eles querem receber a vacina em desenvolvimento e depois ser expostos ao coronavírus para testar a eficácia dela.

Praticamente todos os testes de novas vacinas em humanos acontecem em diferentes fases. Primeiro há os testes pré-clínicos, em que aspectos de segurança são testados in vitro e/ou em animais de experimentação. Quando a vacina está pronta para ser testada em pessoas, há quatro fases diferentes de estudo clínico: I, II, III e IV.

Na fase I, a vacina é usada em poucas pessoas saudáveis, com objetivo de verificar a segurança. Na fase II, um número maior de indivíduos participa do estudo, com objetivo de estabelecer a imunogenicidade da vacina. Na fase III ainda mais pessoas participam, com objetivo de demonstrar a eficácia da vacina.

Se for considerada segura e eficaz, a vacina é disponibilizada ao mercado durante a fase IV, mas o acompanhamento continua para identificar possíveis efeitos colaterais desconhecidos.

Infecção natural x provocada

Quando se testa uma vacina em humanos, os participantes são divididos em dois grupos: um recebe um placebo e o outro recebe a vacina. Depois, ao longo dos meses seguintes, os pesquisadores acompanham os participantes para descobrir quantos dos dois grupos pegaram a doença de forma natural, e não induzida.

O que os 1500 jovens voluntários querem é ser expostos propositalmente ao vírus depois de tomar a vacina, para acelerar a pesquisa. A proposta se chama 1Day Sooner e não tem ligação com nenhuma empresa que desenvolve uma vacina contra o coronavírus.

Os voluntários estão cientes dos riscos de um teste desse tipo, mas acreditam que acelerar a obtenção da vacina seria um benefício tremendo para a humanidade e portanto justifica qualquer perigo em uma escala individual.

Discussão ética

O co-fundador do 1Day Sooner, Josh Morrison, espera mostrar que há um grande apoio popular para esse tipo acelerado de teste que em situações normais não é aprovado por comitês de ética. Outras doenças que já passaram pelo teste clínico proposto foram influenza e malária.

A proposta está ganhando movimento político. Ela foi defendida por 35 membros do Congresso americano, que apelaram ao diretor do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Alex Azar.

Um grande investidor de pesquisas biomédicas em Londres, a Wellcome, tem discutido os aspectos éticos e logísticos de um teste clínico acelerado para uma vacina contra o COVID-19. Charlie Weller, uma das líderes da Wellcome, diz que não há provas incisivas de que esse tipo de teste aceleraria o desenvolvimento da vacina.

“Acho que há potencial. Mas temos tantas perguntas para resolver e entender se isso poderia ajudar na linha de tempo que temos”, explica Weller. Por isso, os debates continuam. [Nature, Instituto Butantan]



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