Cientistas demonstram comunicação direta entre cérebros humanos

Uma nova pesquisa da Universidade de Washington e da Universidade
Carnegie Mellon (EUA) desenvolveu uma tecnologia que substitui a linguagem como
forma de comunicação, ligando diretamente os cérebros de três pessoas.

A atividade elétrica do cérebro de duas delas serviu como sinal para uma terceira completar uma tarefa, sem que elas tivessem contato umas com as outras.

“Internet de cérebros”

Esse não é o primeiro estudo que testa a comunicação direta
entre cérebros.

Um dos pesquisadores líderes desse campo, Miguel Nicolelis,
por exemplo, conduziu um experimento que ligou o cérebro de vários ratos
criando uma rede ou um “computador orgânico” complexo. Os roedores tinham
atividade cerebral sincronizada e se saíam melhor em tarefas do que animais
individuais.

Será que o mesmo pode ser feito com seres humanos, ou seja, uma rede de cérebros conectados que funcionam como um supercomputador biológico?

O estudo

No novo estudo, três seres humanos em salas separadas
colaboraram uns com os outros em jogo do tipo Tetris, no qual deveriam orientar
os blocos para encaixá-los. Dois indivíduos agiam como “enviadores” de sinais (estes
podiam ver o jogo), e um como “recebedor” (este só tinha que escolher a orientação).

Ao mesmo tempo, outras interfaces cérebro-cérebro mais invasivas estão sendo desenvolvidas, como uma patrocinada pelo bilionário do mundo tecnológico Elon Musk, contendo um implante com 3.000 eletrodos, e outra financiada pela DARPA (a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA), uma tecnologia capaz de acionar um milhão de células neurais simultaneamente.

Questões éticas

Apesar deste estudo ser menos invasivo que outros como o da
DARPA, também levanta preocupantes questões éticas.

Por exemplo, poderia uma interface ou rede cerebral deste
tipo ser usada para coagir uma pessoa a fazer algo que não queira, invadindo o seu
senso de agência? Poderia ser usada para extrair informações confidenciais,
invadindo a privacidade do indivíduo? De forma geral, poderia atrapalhar o
senso pessoal (senso do “eu”) de um ser humano?

Uma das nuances da linguagem humana é que aquilo que não é
dito é frequentemente mais importante do que aquilo que é dito. Se tais redes
se tornarem comuns e permitirem toda uma “abertura” descontrolada de
pensamentos e trocas de informações, talvez os benefícios se mostrem menores do
que os prejuízos: é o nosso senso de autonomia individual que pode estar jogo.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Nature. [ScientificAmerican]



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