Em estudo piloto, transplante de fluido vaginal tratou doenças incuráveis

Um estudo clínico piloto conduzido por pesquisadores israelenses mostrou o surpreendente potencial dos transplantes de fluido vaginal para tratar doenças vaginais incuráveis em mulheres.

Os resultados podem revolucionar a forma como tratamos condições que afetam o aparelho reprodutor feminino.

As participantes

O ensaio clínico envolveu cinco mulheres com idades entre 27
e 47 anos que sofriam de casos incuráveis de vaginose bacteriana – ou seja, que
tiveram pelo menos quatro episódios intratáveis no último ano.

Essa condição é marcada por alterações na comunidade
microbial que vive normalmente na vagina, o que pode levar a uma série de
problemas como secreção com mau odor, maior risco de infecções do aparelho
reprodutor, complicações na gravidez e maior suscetibilidade a infecções sexualmente
transmissíveis.

Todas as cinco participantes haviam tomado antibiótico diversas
vezes para tentar tratar sua vaginose, sem sucesso. Isso havia afetado
significativamente suas vidas, incluindo seus relacionamentos e autoestima.

A metodologia

As cinco pacientes foram tratadas com transplantes vaginais coletados de três doadoras rigorosamente selecionadas – seus fluidos sugeriam uma comunidade microbiana vaginal saudável, tipicamente dominada por Lactobacillus.

As voluntárias, com idades entre 35 e 48 anos, também foram
testadas medicamente, não tinham histórico de vaginose nem de doenças
sexualmente transmissíveis, não estavam tomando nenhuma medicação e não haviam
feito sexo por pelo menos uma semana antes do transplante.

Primeiro, os pesquisadores utilizaram um regime antibiótico
intravaginal nas pacientes, e depois transplantaram a nova microbiota vaginal
60 minutos depois de coletarem os fluidos das doadoras.

Resultados

Duas participantes demonstraram remissão total da vaginose
depois de apenas um transplante. Os pesquisadores as acompanharam por até 11,5
meses.

Duas outras receberam três transplantes até atingir a remissão
total, e foram acompanhadas por até 21 meses.

Uma das participantes atingiu apenas uma reversão parcial da
vaginose, mas seu caso foi influenciado por uma infecção de garganta que exigiu
que ela tomasse antibiótico depois de receber seu transplante de fluido
vaginal.

Os cientistas realizaram análises genéticas nas
participantes, comprovando que suas microbiotas vaginais haviam se transformado
para se parecerem com àquelas das doadoras. No caso da participante que não foi
totalmente curada, sua microbiota vaginal parecia uma mistura da original com a
da doadora.

“Coletivamente, relatamos a viabilidade do uso do transplante de fluido vaginal como tratamento de longo prazo para vaginose recorrente intratável, que não responde a antibióticos”, concluíram os pesquisadores.

Próximos passos

Os pesquisadores provaram a segurança e os benefícios do
transplante, no entanto, uma vez que se tratou de um estudo pequeno, a eficácia
da terapia ainda precisa ser verificada em estudos randomizados maiores,
controlados por placebo.

A pesquisa israelita foi publicada na revista científica Nature Medicine. [ArsTechnica]



[ad_2]

Source link

Add Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send message via your Messenger App