Essa inteligência artificial pode prever se uma mulher terá câncer de mama 5 anos antes da doença se manifestar

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia do Massachusetts e do Massachusetts General Hospital (EUA) desenvolveram uma nova ferramenta de inteligência artificial para detectar o câncer de mama em mulheres com até cinco anos de antecedência.

O modelo de aprendizagem profunda criado pela equipe pode
prever, com base apenas em uma mamografia, se uma mulher irá desenvolver câncer
de mama no futuro.

E, ao contrário de métodos mais antigos, funciona tão bem em
pacientes negras quanto em pacientes brancas.

O método

O primeiro passo foi examinar as mamografias de mais de
60.000 pacientes tratadas no Massachusetts General.

Os pesquisadores então identificaram as mulheres que
desenvolveram câncer de mama dentro de cinco anos de seus exames.

Com esses dados, criaram um modelo que reconhece os padrões
sutis no tecido mamário que são os primeiros sinais de câncer.

Segundo Regina Barzilay, uma das autoras do estudo e
sobrevivente do câncer de mama, a esperança é de que sistemas como esse
permitam que os médicos personalizem programas de prevenção e rastreamento em
nível individual, tornando o diagnóstico tardio uma relíquia do passado.

Avanço

Desde a criação do primeiro modelo de risco de 1989, tais
esquemas têm sido impulsionados pelo conhecimento e pela intuição de quais
fatores constituem risco para a doença. Exemplos de fatores incluem: idade,
histórico familiar de câncer de mama e de ovário, fatores hormonais e
reprodutivos e densidade mamária.

No entanto, a maioria desses marcadores é apenas fracamente
correlacionada com o câncer de mama. Como resultado, mesmo após décadas de
desenvolvimento, os atuais modelos ainda não são precisos o suficiente no nível
individual, e programas de rastreamento com base no risco não são possíveis.

Em vez de identificar manualmente os padrões em uma
mamografia que poderiam conduzir ao câncer no futuro, a equipe treinou um
modelo de aprendizagem profunda para induzir os padrões diretamente dos dados.

Padrão x personalizado

Informações de mais de 90.000 mamografias foram utilizadas
para permitir que a inteligência artificial aprendesse a captar padrões muito
sutis e complexos demais para serem detectados pelo olho humano.

Desde a década de 1960, os radiologistas notaram que as
mulheres têm padrões únicos e amplamente variáveis ​​de tecido mamário visíveis
na mamografia. Esses padrões podem representar a influência da genética,
hormônios, gravidez, lactação, dieta, perda de peso e ganho de peso.

Agora, podemos alavancar essa informação específica para ser
mais rigoroso na avaliação de risco a nível individual de uma mulher.

“Em vez de adotar uma abordagem padrão, podemos
personalizar a triagem em torno do risco de uma mulher desenvolver
câncer”, explica Barzilay. “Por exemplo, um médico pode recomendar
exames complementares de ressonância magnética para mulheres com alto risco
avaliado pelo modelo”.

Eficaz

Um estudo publicado em 2018 na revista científica JAMA
Surgery mostrou que, como as diretrizes atuais para o câncer de mama são
baseadas principalmente no estudo de populações brancas, isso pode levar a um
atraso na detecção do câncer em mulheres de outras etnias.

Isso tem consequências graves: as mulheres negras são 43%
mais propensas a morrer de câncer de mama do que as brancas. Em média, mulheres
hispânicas, negras e asiáticas desenvolvem câncer de mama em idade mais precoce
do que as caucasianas.

No novo estudo, os cientistas descobriram que seu modelo de inteligência
artificial funcionou tanto em pacientes negras quanto em brancas por uma
simples razão: os dados alimentados nele incluíam ambas as populações.

“É particularmente impressionante que o modelo tenha um
desempenho tão bom para pessoas negras quanto para brancas, o que não tem sido
o caso com ferramentas de avaliação de risco anteriores”, disse Allison
Kurian, da Universidade de Stanford (EUA).

Mas, enquanto o modelo pode ser mais diversificado, apenas 5%
das 60.000 mulheres estudadas pelos pesquisadores eram negras. No total, 81%
eram brancas, 5% negras, 4% asiáticas e 8% foram categorizadas como “outro”
ou “desconhecido”. Ou seja, mais trabalhos precisam ser feitos para
tornar os dados ainda mais reflexivos sobre a população em geral.

Próximos passos

Os cientistas agora estão buscando colaborações com outros
hospitais para validar o modelo em populações mais diversificadas e garantir
que seja equitativo. Os números preliminares são promissores.

“Nosso objetivo é fazer com que esses avanços façam
parte do padrão de atendimento. Ao prever quem irá desenvolver o câncer no
futuro, podemos tratá-lo antes que os sintomas surjam e esperamos salvar
vidas”, afirmou Adam Yala, outro pesquisador do estudo.

Os resultados foram publicados em um artigo na revista científica Radiology. [Engadget, MIT]



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