Estudo diz que há “pouquíssimas evidências” de que a maconha medicinal seja útil para doenças mentais

Segundo um grande estudo da Universidade de Queensland (Austrália), existem poucas evidências de que a maconha ajuda a tratar a depressão, ansiedade e outras condições de saúde mental, apesar das crescentes alegações de que a droga seria uma ferramenta útil no gerenciamento dessas condições.

Ausência de evidências convincentes

Um relatório de 2017 da Academia Nacional de Ciências dos
EUA encontrou evidências suficientes de que a maconha poderia ser usada para
tratar dor crônica, espasmos musculares causados por esclerose múltipla e náusea
causada pela quimioterapia.

Alguns compostos da maconha, como o tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), são muitas vezes apontados como medicinais, em uma espécie de “tratamento para qualquer coisa”. No entanto, os pesquisadores australianos os consideram pouco estudados para tal afirmação de que são bons para a saúde, principalmente a mental.

“A ausência de evidências convincentes a favor desses
canabinóides parece resultar principalmente da ausência de boas pesquisas.
Ausência de evidências não é evidência de ausência”, disse Mitch
Earleywine, professor de psicologia na Universidade de Albany, na Universidade
Estadual de Nova York e membro do conselho consultivo da NORML (Organização Nacional
para a Reforma das Leis da Maconha), um grupo sem fins lucrativos.

O estudo

No novo estudo, os cientistas analisaram 83 pesquisas incluindo
3.000 participantes feitas entre 1980 e 2018 que envolveram o uso de canabinóides
para tratar depressão, ansiedade, transtorno do estresse pós-traumático, psicose,
transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e síndrome de Tourette.

40 delas foram testes clínicos randomizados, considerado o “padrão
ouro” para a pesquisa científica.

Os pesquisadores encontraram evidências de “qualidade
muito baixa” de que o THC medicinal levou a pequenas melhorias nos
sintomas de ansiedade entre pacientes com outras condições, principalmente dor
crônica não cancerosa e esclerose múltipla.

No geral, encontraram poucas evidências de que canabinóides
medicinais ajudassem a tratar as condições ou seus sintomas individuais. É
possível que a maconha tenha aliviado a ansiedade em alguns estudos porque a
condição subjacente pela qual as pessoas estavam sendo tratadas teve alguma
melhora. Por exemplo, a dor crônica de um paciente pode ter diminuído,
ajudando-o a se sentir mais relaxado.

Por outro lado, a maconha aumentou o número de efeitos colaterais em 10 estudos, e aumentou o número de pessoas que se retiraram do estudo devido a efeitos colaterais negativos em 11 estudos. Inclusive, em um deles, piorou os sintomas da psicose.

Conclusões

Os pesquisadores sugerem que, sem evidências de alta
qualidade, o tratamento de doenças mentais com maconha não é justificável.

Novos estudos, maiores, são necessários para demonstrar como
diferentes compostos e doses afetam diferentes condições.

“A planta de cannabis é muito complicada e possui muitos e muitos produtos químicos”, resume Wayne Hall, da Universidade de Queensland.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista The Lancet. [NewScientist, WebMD]



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