Estudo examina quadro grave de coronavírus em crianças

No início da pandemia pelo coronavírus circulava a informação de que crianças com menos de nove anos não morriam por complicações causadas pelo vírus, mas conforme as semanas foram se passando e os primeiros casos pediátricos graves começaram a ser noticiados, os médicos já não tinham tanta certeza quanto à suposta segurança dos pequenos. Um estudo recém-publicado na revista JAMA Pediatrics analisou 48 casos de crianças nos Estados Unidos nos meses de março e abril.

É importante frisar que nenhum caso estudado neste trabalho é da misteriosa síndrome inflamatória ligada ao coronavírus em crianças, problema que causa problemas cardíacos graves. Os pacientes estudados sofreram com problemas respiratórios severos, com os mesmos sintomas sentidos por adultos.

De bebês até jovens de 21 anos

As 48 crianças e adolescentes com diagnóstico confirmado de COVID-19 tinham idades entre alguns meses de vida até 21 anos, e estavam internadas em 14 hospitais nos EUA entre os meses de março e início de abril. Duas das crianças morreram, e 18 precisaram de ventiladores para respirar, sendo que duas ainda permaneceram ligadas às máquinas por pelo menos um mês.

O trabalho reforçou evidências que a porcentagem de crianças que chega a este estado grave é pequena, mas também confirmou que algumas delas podem ficar gravemente doentes e morrer.

Problemas pré-existentes

A maioria das crianças, 40 delas, já tinha problemas pré-existentes, como paralisia cerebral e câncer. Algumas tinham sido transplantadas. Eles eram pacientes que precisavam de traqueostomias ou tubos de alimentação, crianças com “problemas para andar, falar, comer e respirar”, detalhou Lara Shekerdemian, a principal pesquisadora do trabalho.

O novo estudo também diz que por enquanto não há um tratamento específico para crianças com os sintomas graves, e cada equipe médica escolhe um tratamento diferente, usando drogas experimentais como a hidroxicloroquina, remdesivir e tociluzimab. Outros médicos têm decidido por óxido nítrico e por plasma sanguíneo.

2% dos casos são em crianças

Este estudo foi conduzido por membros de vários países, e contou com a colaboração de mais de 300 especialistas em UTI pediátrica e em doenças infecciosas. 46 hospitais aceitaram participar do trabalho.

Os dois pacientes que faleceram tinham 12 e 17 anos. Dos 48 pacientes, 33 ficaram criticamente doentes, sendo que 30 deles tiveram insuficiência pulmonar e 11 também tiveram insuficiência em um ou mais órgãos como o coração, rins ou fígado. Dois tiveram convulsões.

Este pequeno número de crianças internadas nos hospitais envolvidos no estudo refletem a informação que apenas 2% dos casos de coronavírus nos EUA são em crianças com menos de 18 anos. Esse dado é semelhante ao observado na China e superior aos registrados na Itália e Espanha.

Nos Estados Unidos inteiro foram registrados até o dia 6 de maio dez mortes de crianças com 14 anos ou menos e 48 em jovens entre 15 e 24 anos.

Enquanto isso, outros pesquisadores estão tentando determinar o motivo pelo qual as crianças parecem ser menos afetadas pelo vírus do que os adultos e também do que se trata a síndrome inflamatória misteriosa. [New York Times]



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