Estudo mostra que pouquíssimas mulheres se arrependem de fazer um aborto

Uma das maiores preocupações que cercam a questão da legalização do aborto é ter certeza se as mulheres não irão se arrepender de ter um depois.

No entanto, um novo estudo da Universidade da Califórnia e da Universidade Columbia (EUA), um dos maiores já feitos sobre o assunto, mostra que é bem pelo contrário: a maioria das mulheres sente na verdade alívio.

Metodologia

Os pesquisadores questionaram quase 1.000 mulheres que vivem
em 21 estados americanos sobre sua experiência com o aborto, não somente logo
após o procedimento, mas 11 vezes depois disso, sempre a cada seis meses, ou
seja, até cinco anos depois da decisão.

A ideia era descobrir como elas se sentiam em relação ao que fizeram ao longo do tempo.

Resultados

Apenas 6% das mulheres expressaram sentimentos negativos por
ter feito um aborto cinco anos após o procedimento. 84% tinham sentimentos
positivos ou nenhuma emoção em relação a sua decisão, mesmo que não se
sentissem assim no momento em que a tomaram.

Pouco mais da metade das mulheres disse que a escolha de
abortar foi “muito difícil”. 27%
disseram que foi “um pouco difícil”. 46% disseram que não foi difícil.

Uma semana após o aborto, mais da metade delas expressou emoções
principalmente positivas (51%), com 20% sentindo nenhuma/poucas emoções, 17%
sentindo principalmente emoções negativas e 12% sentindo ambas emoções negativas
e positivas.

Com o tempo, a porcentagem de mulheres que expressavam nenhuma ou poucas emoções negativas aumentou acentuadamente, para 45% em um ano e 63% em três anos.

Estigma versus alívio

Outro dado importante é que 70% das mulheres pensavam que
seriam estigmatizadas se as pessoas soubessem que elas já tinham abortado.

As que tiveram mais dificuldade em tomar a decisão ou se
sentiram mais estigmatizadas eram as mais propensas a reportar culpa, raiva ou
tristeza logo após o aborto, mas, com o tempo, esses sentimentos diminuíram dramaticamente,
conforme os dados mostraram.

A principal emoção que todos os grupos de mulheres sentiram, no entanto, foi alívio. Em todas as vezes que os pesquisadores perguntaram como elas estavam durante o estudo, as mulheres disseram estar aliviadas.

(Quase) sem culpa, com muito alívio

Esses resultados sugerem que as mulheres não se arrependem
de fazer um aborto, mesmo que fiquem um pouco infelizes no momento do
procedimento. A longo prazo, os sentimentos negativos tendem a desaparecer enquanto
o alívio permanece.

“Todas as alegações de que emoções negativas surgirão
ao longo do tempo [depois que uma mulher aborta], um mito que persiste por
décadas sem nenhuma evidência para fundamentá-lo, simplesmente não são
verdade”, disse uma das autoras do estudo, Corinne Rocca, epidemiologista
e professora de obstetrícia, ginecologia e ciências da reprodução na
Universidade da Califórnia.

Segundo Rocca, é na verdade surpreendente que, não importa
como as mulheres se sintam em relação ao aborto, o que fica depois de cinco
anos seja o alívio.

“Podia-se pensar que o alívio seria um sentimento de curto
prazo que desapareceria após semanas, mas não desapareceu como os outros
sentimentos. O alívio foi constante”, concluiu.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Social Science & Medicine. [CNN]



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