Estudo rigoroso confirmou que o glúten não é ruim para pessoas saudáveis

A menos que você tenha doença celíaca ou intolerância ao glúten,
um novo e rigoroso estudo britânico mostrou que comer alimentos com a substância
não está ligado a nenhum sintoma gastrointestinal ou fadiga.

A pesquisa – uma colaboração da Universidade de Sheffield, do
Hospital Royal Hallamshire e da Universidade de Reading – utilizou um dos
métodos científicos mais confiáveis que existe: um experimento controlado
randomizado duplo-cego.

Nele, voluntários saudáveis foram aleatoriamente distribuídos
em dois grupos para ingerir farinha contendo ou não glúten, sem os participantes
ou os pesquisadores saberem quem estava comendo o quê.

Com glúten, sim

Uma boa porcentagem dos consumidores pensa que dietas sem glúten são mais saudáveis. A nova pesquisa veio para demonstrar que isso não tem fundamento.

“Os benefícios de uma [dieta sem glúten] também são
vendidos com base na diminuição da carga de doenças, na melhora da função
cognitiva, na perda de peso e na boa aparência”, escreveram os
gastroenterologistas Emma Halmos e Peter Gibson, da Universidade Monash (Austrália),
em um editorial que acompanhou o estudo.

Esta foi a primeira vez que indivíduos sem histórico de
problemas intestinais, como síndrome do intestino irritável, estiveram
envolvidos em uma experiência com glúten e os resultados provam de uma vez por
todas que não há problema nenhum em ingerir a substância, no caso de pessoas
sem intolerância prévia a ela.

Metodologia

28 voluntários foram divididos em dois grupos e tiveram que seguir
uma dieta por duas semanas, consumindo uma dose de farinha duas vezes por dia
que continha ou 14 gramas de glúten ou nada de glúten.

Para medir as mudanças em dor abdominal, fadiga, refluxo,
indigestão, diarreia e constipação, cada participante completou uma série de
questionários antes e depois do experimento.

No fim das duas semanas, análises independentes entre ambos os grupos não mostraram nenhuma mudança significativa entre os participantes em nenhum sintoma, incluindo dor abdominal. Somente um indivíduo que comeu glúten reportou diarreia, o que os pesquisadores não pensam ser algo regular.

Os cientistas concluíram que não há benefícios em levar uma
dieta sem glúten.

Não tenha medo

Obviamente, no caso de pessoas com doença celíaca, o glúten pode ser muito perigoso – o consumo da substância pode destruir o revestimento do intestino delgado e levar a osteoporose, infertilidade, danos nos nervos e convulsões.

Essas reações extremas são muito raras, entretanto. Por
exemplo, nos EUA, ocorrem em menos de 1% da população.

Inclusive, existem evidências de que dietas sem glúten podem fazer mais mal do que bem, no caso de indivíduos saudáveis. Pesquisas anteriores sugeriram que pessoas com doença celíaca não consomem cálcio, ferro, fibras, folato e tiamina em quantidade suficiente. Outro estudo chegou à conclusão de que pessoas com menor ingestão de glúten tinham maior risco de desenvolver diabetes tipo 2.

“A grande questão é se essas descobertas irão diminuir
o entusiasmo pelo uso de uma dieta sem glúten entre a comunidade em
geral”, completaram Halmos e Gibsen, acrescentando que até hoje descobertas
cientificamente válidas tiveram pouca influência nas crenças sobre o glúten.



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