Mulher acorda depois de 27 anos inconsciente

A última vez em que Munira Abdulla esteve totalmente acordada, o mundo era um lugar muito diferente. A União Soviética estava chegando ao fim e o presidente do Brasil era Fernando Collor de Melo.

Em 1991, aos 32 anos, a mulher sofreu ferimentos em um
acidente de trânsito que a deixou em um estado de consciência reduzida durante
a maior parte das três décadas seguintes.

Depois de 27 anos, Abdulla, nascida na cidade de Al Ain, nos
Emirados Árabes Unidos, acordou em junho do ano passado em uma clínica perto de
Munique, na Alemanha, onde médicos a tratavam por conta de complicações de sua
longa doença.

“Eu nunca desisti dela, porque sempre tive a sensação
de que um dia ela iria acordar”, disse Omar Webair, seu filho de 32 anos,
que tinha apenas 4 quando o acidente aconteceu.

Coma

Pacientes em estado de consciência reduzida são geralmente classificados
em três categorias.

No coma completo, o paciente não mostra sinais de estar
acordado; permanece de olhos fechados e sem resposta ao meio ambiente. Um
estado vegetativo persistente inclui pacientes que parecem despertos, mas não
mostram sinais de consciência.

Por fim, um estado minimamente consciente pode incluir
períodos em que há alguma resposta – como mover um dedo quando solicitado – de vez
em quando. Coloquialmente, todas as três categorias são descritas como comas.

Segundo o Dr. Friedemann Müller, médico-chefe da Schön
Clinic, o hospital alemão que abrigava Abdulla, casos como esse, nos quais um
paciente se recupera após um período tão longo, são raros – somente alguns
foram registrados na literatura científica até hoje.

A surpresa

Sinais de que Abdulla estava se recuperando começaram a
surgir no ano passado, quando ela começou a dizer o nome do filho. Algumas
semanas depois, passou a repetir versículos do Alcorão que havia aprendido
décadas atrás.

O Dr. Müller disse que não esperava tal recuperação. A
mulher estava na clínica para tratamento de convulsões e músculos contorcidos
que dificultavam o seu manuseio e impediam que ela se sentasse em uma cadeira
de rodas com segurança.

Parte do tratamento foi a instalação de um dispositivo que liberava
medicação diretamente em sua coluna, um fator que pode ter contribuído para sua
recuperação.

Uma vez acordada, Abdulla retornou aos Emirados Árabes
Unidos para ser tratada em um hospital em Abu Dhabi.

Outros casos

Terry Wallis, do Arkansas (EUA), tinha 19 anos quando caiu
de uma ponte em uma picape. Ele pronunciou sua primeira palavra desde o
acidente, “mamãe”, quase duas décadas depois, em 2003.

Sua recuperação foi tão incomum que os cientistas a usaram
como uma oportunidade para estudar o seu cérebro e ajudar a determinar quais
pacientes com danos cerebrais graves tinham a melhor chance de se recuperar.

Existem outros casos deste tipo, estimulando debates sobre o
direito de uma pessoa viver ou morrer – e as condições vegetativas em que
vivem.

Com cuidados médicos, alguns podem permanecer em um estado de consciência reduzida por décadas. Aruna Shanbaug, uma enfermeira indiana, passou mais de 40 anos em tal condição até sua morte aos 66 anos, em 2015. Ela foi deixada em estado vegetativo permanente após ser estrangulada com uma corrente de metal durante uma agressão sexual. [NYTimes]



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