Qual é o seu propósito? Encontrar um sentido na vida é ligado à melhor saúde

De acordo com um novo estudo da Universidade de Michigan
(EUA), ter um propósito na vida pode diminuir o seu risco de mortalidade.

Os pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 7.000
adultos americanos entre 51 e 61 anos e descobriram que aqueles que não tinham
um propósito de vida forte – definido como “um objetivo de vida maior que
estimula outras metas” – eram duas vezes mais propensos a morrer entre os
anos do estudo (de 2006 a 2010). As mortes foram principalmente de doenças
cardiovasculares.

A associação entre um baixo nível de propósito na vida e morte
permaneceu verdadeira independentemente do sexo, etnia, status econômico ou
nível de escolaridade.

Segundo os cientistas, a ligação é tão poderosa que ter um
propósito de vida pareceu ser mais importante para diminuir o risco de morte do
que não beber, não fumar ou se exercitar regularmente.

Em busca de um significado

O novo estudo contribui para um pequeno, mas crescente corpo
de literatura científica sobre a relação entre propósito de vida e saúde
física.

Por exemplo, um artigo publicado na revista Psychosomatic Medicine em 2016 por Alan Rozanski, professor da Faculdade de Medicina Icahn (Nova York, EUA), reuniu dados de 10 estudos que mostraram que um forte propósito de vida estava associado à redução do risco de mortalidade e eventos cardiovasculares, como ataques cardíacos e derrames.

Além disso, diversos cientistas e autores já exploraram a relação
da filosofia japonesa conhecida como ikigai, simplesmente traduzida como a
“felicidade derivada de estar ocupado em alguma atividade que contém significado
e propósito” para você, com a saúde.

O ikigai, ou ter um forte senso de propósito na vida, é a
teoria que parece explicar a longevidade de uma comunidade japonesa da ilha de
Okinawa – seus moradores têm a maior expectativa de vida do mundo.

O método do novo estudo

Os pesquisadores do novo estudo retiraram seus dados de uma
grande pesquisa com adultos americanos chamada “Health and Retirement Study”.
Os participantes foram convidados a responder uma variedade de perguntas sobre
temas como finanças, saúde física e vida familiar.

Um subconjunto deles preencheu também questionários
psicológicos, incluindo perguntas projetadas para entender quão forte era o seu
propósito de vida. Por exemplo, os participantes tinham que classificar suas
respostas a afirmações como: “Algumas pessoas vagam sem rumo pela vida,
mas eu não sou uma delas”.

Os pesquisadores usaram as respostas a essas questões para
quantificar quão forte era o propósito de vida de cada participante, comparando
então essas informações aos dados sobre a sua saúde física, incluindo
falecimentos.

O questionário não pediu aos participantes para definir como
eles encontravam sentido na vida. O que importa, de acordo com os
pesquisadores, não é qual é o propósito da vida de uma pessoa, mas sim se ela tem
um.

“Para alguns, pode ser criar filhos. Para outros, pode
ser trabalho voluntário. De onde vem a sua realização na vida pode ser muito
individual”, explicou a professora de epidemiologia da Universidade de
Michigan, Celeste Leigh Pearce, uma das cientistas envolvidas no estudo.

A ideia de pesquisar esse tópico veio de Aliya Alimujiang, doutoranda
em epidemiologia na Universidade de Michigan e principal autora da pesquisa. Seu
interesse surgiu quando Alimujiang trabalhou como voluntária em uma clínica de
câncer de mama, antes de começar a pós-graduação. Lá, ela ficou impressionada
com a forma como as pacientes que conseguiam articular como encontravam sentido
na vida pareciam se sair melhor.

Próximos passos

Embora a ligação entre propósito de vida e bem-estar físico
pareça forte, mais pesquisas são necessárias para explorar a conexão
fisiológica entre os dois fatores. Por exemplo, será que ter um baixo propósito
de vida está ligado a altos níveis de hormônios do estresse?

Além disso, os pesquisadores esperam estudar estratégias de
saúde pública – como tipos de terapia ou ferramentas educacionais – que possam
ajudar as pessoas a desenvolver um forte senso de propósito na vida.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica JAMA Current Open. [NPR]



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