Revisão sistemática de estudos conclui que carne vermelha não faz mal para a saúde

Uma grande revisão de estudos conduzida por pesquisadores da
Universidade McMaster e da Universidade de Dalhousie, ambas no Canadá, concluiu
que reduzir o consumo de carne vermelha tem pouco impacto positivo na saúde.

Embora os resultados pareçam controversos, o grupo de pesquisa
com 14 membros de 7 países afirmou que utilizou uma metodologia sistemática rigorosa
para avaliar as melhores evidências sobre carne vermelha e saúde humana até à data,
chegando à conclusão de que os adultos devem continuar a comer seus níveis
atuais de carne vermelha e processada.

Vale observar que os cientistas não entraram no mérito do bem-estar animal ou do meio-ambiente, outras possíveis e importantes razões para não se comer carne vermelha.

“Este não é apenas mais um estudo sobre carne vermelha e processada, mas uma série de revisões sistemáticas de alta qualidade, resultando em recomendações que julgamos muito mais transparentes, robustas e confiáveis”, disse Bradley Johnston, professor em ambas as Universidades, McMaster e Dalhousie. “Nós nos concentramos exclusivamente em resultados de saúde e não consideramos o bem-estar animal ou preocupações ambientais ao fazer nossas recomendações. No entanto, somos solidários ao bem-estar animal e às preocupações ambientais, com vários membros do painel de diretrizes que eliminaram ou reduziram sua ingestão pessoal de carne vermelha e processada por esses motivos”.

Metodologia

Os pesquisadores realizaram quatro revisões sistemáticas focadas
em ensaios clínicos randomizados e observacionais que analisaram o impacto do consumo
de carne vermelha (como carne bovina) e processada (como salsicha e bacon) em
resultados de saúde.

Em uma das revisões, que abarcou 12 estudos com 54.000 participantes, os cientistas não encontraram associações estatísticas significativas entre consumo de carne e risco de doença cardíaca, diabetes ou câncer.

Em três revisões sistemáticas de estudos observacionais seguindo
milhões de participantes, os pesquisadores notaram uma redução pequena no risco
de saúde entre aqueles que comeram três porções a menos de carne por semana,
embora não possam afirmar causalidade.

Depois de concluir essas revisões, os cientistas ainda fizeram uma quinta análise revisando as atitudes e valores de saúde das pessoas em relação ao consumo de carne, concluindo que pessoas comiam carne porque pensavam que era saudável, porque gostavam do sabor e porque se sentiam relutantes em mudar de dieta.

Os resultados do estudo e as recomendações de saúde que o acompanham foram publicados em um artigo na revista científica Annals of Internal Medicine. [ScienceDaily]



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